c0501: “post drain” by tchly aka ohaind

Quem é tchly?

TCHLY, também conhecido como OHAIND, é um artista independente, natural de João Pessoa, mas atualmente vive e trabalha em São Paulo. Transita com muita naturalidade tanto na performance e no vocal quanto nos bastidores, com a produção musical. Com uma identidade voltada para a experimentação, o trabalho dele se desdobra em várias frentes: assina álbuns autorais cantando, comanda projetos inteiros como produtor, onde constrói os instrumentais e convida múltiplos artistas para somar, além de desenvolver uma forte pesquisa em videoclipes e na parte visual dos seus projetos.

Neste set, o artista apresenta suas referências e a pesquisa sonora que move o seu trabalho atual.

“Minha voz derretendo no beat.”

Para marcar a nova transmissão especial da Rádio Cura, destilamos o processo criativo, as vivências e as texturas sensoriais que movem o universo de thcly. Em um diálogo cru sobre música, cinema e a realidade de construir a própria identidade, o produtor e artista destrincha o design de som por trás de suas faixas e como sua assinatura sônica colide com a estética das ruas.

Dialogando com Tchly

Se o seu som fosse um espaço físico, uma arquitetura ou uma paisagem urbana, onde nós estaríamos pisando agora?

“Sem dúvidas seria um club com as caixas no volume máximo, onde todos estão vestidos da maneira como querem, sem se importar com opiniões alheias, apenas sendo livres.”

No Cura, nós pensamos muito em peso, modelagem e textura. Quais são as matérias-primas sonoras que você busca para esculpir as suas faixas?

“Eu sempre fui de escolher o som mais sujo, do ruído, do barulho, mas estou buscando esclarecer cada vez mais meu som hoje em dia. Venho melhorando os equipamentos e a mixagem para dar mais clareza para a minha voz e destacar o peso do instrumental. Quero que o máximo de pessoas consiga compreender o que eu estou fazendo, mesmo tendo muito auto-tune, muito delay e muita distorção. A intenção é dar a sensação exata de como se a minha voz estivesse derretendo no beat.”

Pensando na direção de arte do seu trabalho, se esse setlist fosse a trilha sonora de um filme, quem assinaria a direção e qual seria a paleta de cores dominante?

“Sempre fui louco por filmes independentes e estética. Acho que a minha bagagem visual é muito influenciada pelo cinema e pelos blogs do Tumblr com os quais me deparei quando vagava pela internet muito novo. Se esse set fosse a trilha sonora de um filme, seria do Stanley Kubrick, e eu tenho certeza de que a paleta de cores seria azul.”

Como a sua vivência e a sua pesquisa de moda andam lado a lado com a atitude que você bota nas suas letras e no seu som?

“Mesmo vindo de uma classe social baixa, onde por muito tempo eu não conseguia pegar peças das marcas que eu admirava, construí meu estilo com roupas de brechós físicos e online. A forma como você consegue expressar um sentimento ou uma atitude apenas com a sua vestimenta me faz querer aprender cada vez mais e me aprofundar nesse universo, sendo colocadas de maneira direta nas minhas letras, em como isso influência a minha vida e como anda lado a lado com todos os elementos que constroem o meu som.”

Para finalizar, quais são as bases e os movimentos que formataram a sua cabeça para você começar a produzir e entender a sua própria assinatura sônica?

“Desde 2019, quando comecei a produzir, essa vertente faz a minha cabeça. É um movimento derivado do coletivo Drain Gang (GTBSG), filiado à Sad Boys, do Yung Lean, que se enraizou profundamente no SoundCloud após a ascensão do grupo. É um ecossistema que mistura melodias ambientes, etéreas e introspectivas, com a energia bruta das baterias de trap e letras extremamente emocionais. É com esse contexto e com essa essência que quero continuar guiando os meus próximos projetos.”

CORES by Cura, disponível no Instagram.

entrevista por @ryankcdv

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